quarta-feira, 6 de abril de 2016

O drama da Rússia para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro


06/04/16
Coluna: Esporte Manifesto
Autor: Marcos Furtado

A cidade do Rio de Janeiro em breve entrará para a história ao ser a primeira cidade da América do Sul a realizar os jogos olímpicos. A expectativa é grande para a cidade maravilhosa em
receber um evento de grande magnitude, após a Copa do Mundo de futebol. Diferente do mundial de 2014, quando a cidade carioca recebeu alguns jogos do mundial, tendo inclusive a grande final. Porém, desta vez o Rio de Janeiro terá duas semanas intensas com o maior evento do planeta, se tornando o centro das atenções do mundo.

Com toda essa expectativa que envolve a cidade carioca antes de receber este grande evento, é acompanhado com certa apreensão com as entregas das obras, tanto quanto a estrutura da cidade com os turistas, assim com os complexos esportivos, tendo o velódromo como o maior problema por parte da prefeitura, por não saber se as obras do velódromo estarão concluídas antes de começar os jogos, somado com o problema da despoluição da baía Guanabara.

Além das questões administrativas da cidade com o evento olímpico, o evento olímpico poderá ficar marcado na história por uma possível exclusão da Rússia nos jogos Rio 2016.

Desde o ano passado, o atletismo russo está suspenso das competições oficiais da Federação Internacional de Atletismo, após o escândalo de doping no país. Como consequência o time russo não pode participar do Mundial Indoor, em Portland, nos Estados unidos, realizado no último final de semana, entre os dias 18 e 20 de março.


A situação piorou com o doping da tenista Maria Sharapova, reconhecida pela própria tenista em entrevista coletiva. Além da nadadora Yuliya  Efimova e outras dezenas de atletas russos. Agora a situação se torna cada vez mais dramática para Rússia, com mais um doping detectado em  um de seus atletas, desta vez com a velocista Nadezhda Kotlyrova, de 26 anos, prata no europeu de 2013 e 15ª no mundial de Pequim, nos 400 metros.

A pressão fica cada vez maior para a Federação de atletismo da Rússia, que luta para ainda poder disputar os jogos olímpicos do Rio 2016 na modalidade.

Faltam cinco meses para o início dos jogos, para sabermos como ficará marcado os primeiros jogos olímpicos na América do Sul. A torcida é de conseguir concluir e entregar as obras que atualmente estão em atraso, assim como a participação de todos os países  neste evento que representa a união entre os povos. Caso contrário ficará marcado como um verdadeiro fiasco, por parte da gestão da cidade, assim como da Federação Russa.
 
Imagem:
1 - Vladimir SmirnovTASS
 
 
 
 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Enegrecendo a Bipolaridade


05/04/16
Coluna: Manifesto Preto
Autor: Nyl MC


Se você mora no Brasil ou acompanha, sabe que o campo político está uma panela de pressão apitando. Operação Lava-Jato, Impeachment, Lula, Dilma, Temer, Cunha e Moro são algumas palavras-chave desse momento que já é um marco para essa jovem ''democracia''.

O que tá posto no ringue e sendo praticado é meramente disputa de poder. Em nenhum dos lados se vê alguma auto-crítica, mudanças de práticas ou proposições para atender as demandas da população com a urgência que precisam. Simplesmente uma máquina emperrada, que só instiga uma briga de torcidas.
De um lado os verde-amarelos pró Impeachment (muitos sem saber os passos nefastos desse processo). Do outro, vermelhos contra Impeachment. O ''lado vermelho'' dessa força é composto por gente pró-governo e gente que não apoia o governo mas não apoia o Impeachment. A grande mídia não mostra, mas há também quem é contra o governo, contra o Impeachment e a favor de novas eleições, com novos candidatos e um governo em que a população organizada é que estaria a frente das decisões. 
A questão ou provocação que trago aqui é: e o lado preto desse barato?
Há quem diga que seria do lado do PT. Olha as cotas, FIES, Fundação Palmares e bolsa família ai. Real, mas para o país que mais explorou a mão de obra escrava de índios e pretos, que realizou o maior sequestro da humanidade tirando milhares de pessoas de seu próprio continente e concedendo uma ''abolição'' que não se garantiu direito algum, ainda é pouco.
Na semana em que foi anunciado o rompimento oficial do PMDB com o PT (e não o contrário), liberando cargos para serem negociados com PP, PR e PSD, uma criança preta foi morta em Madureira, vítima de uma guerra burra às drogas. Drogas e armas que chegam nas favelas, não são produzidas lá. Nunca houve uma operação grande como a Lava-Jato para se investigar e dar luz a todo esse processo. Mas quem morre ou vai preso é o preto. Por que despender energia, não vale tudo isso? Quanto havia de cocaína no helicoca mesmo?

A condução coercitiva que aconteceu ao ex-presidente Lula acontece nas favelas todos os dias. Amarildo e tantas outras vítimas poderiam nos dizer. Há tempos a juventude preta tá morrendo e os números são alarmantes. No governo em que se tem uma presidenta não houve avanços para as mulheres pretas.  Que diálogo houve sobre a legalização do aborto?
Ta dado que a política brasileira é um antro de podridão e precisa ser reconfigurado pra ontem. Sopa de letrinhas sem práticas consistentes não valem de nada. Cabe a nós continuar cada vez mais envolvido com as ruas, discutindo e pensando novas possibilidades, novos caminhos. Ter uma real representatividade e poder de decisão. Mr Catra foi muito sagaz ao dizer que a favela já é socialista, na prática.
Continuo sonhando e acreditando com o dia em que lembrarei disso tudo e falarei com meus netos: ''mas de lá pra cá a coisa ficou preta'' e sorrir.

Imagens:
1 - Gelédes
2 - Thiago Freitas/Agência O Globo


Os taxistas prometem repetir os protestos contra o aplicativo Uber na próxima sexta-feira

Felipe Migliani
felipemigliani@yahoo.com.br




As manifestações devem provocar novamente um caos no trânsito

Os taxistas prometem repetir os protestos contra o aplicativo Uber no dia 08/04 (sexta-feira) nas principais vias do Rio de Janeiro. Amanhã, no turno da noite, será realizado mais um ato em uma assembléia, defronte ao Aeroporto Santos Dummont, Praça Vereador Miguel Ângelo, Centro. As manifestações devem provocar novamente um caos no trânsito.

Na próxima sexta-feira, no período matutino, ocorrerá uma reunião na Secretaria municipal de Transportes com os representantes da classe. O objetivo do encontro é reforçar a ação da procuradoria da cidade na ação contra o Uber. A prefeitura confirmou a agremiação de amanhã, mas informou que desconhece as novas manifestações marcadas para esta semana.
‘Apesar das ameaças, a intenção não foi bloquear tudo. Alguns grupos já declararam que continuarão a fazer os protestos semanalmente. Existe a possibilidade de ter um próximo ato nessa no dia 08/04. Tudo será decidido na reunião’, disse André de Oliveira, presidente da Associação de Assistência aos Motoristas de Táxi do Brasil, e um dos principais líderes da manifestação.




O André tenciona advogar os taxistas multados na última paralisação. De acordo com a Guarda Municipal, 180 multas foram aplicadas por bloqueio de vias, cujo valor é de R$ 5.746,20. O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, também falou em apoio aos taxistas, mas reafirmou que não irá permitir mais paralisações no trânsito. Para o Picciani, existe a possibilidade de os taxistas entrarem com recursos contra as multas aplicadas.

‘(A cassação) só viria na insistência dessa postura (de fechar vias). É a grande questão que tenho mostrado para eles: se vocês se colocarem mais uma vez contra a cidade, a prefeitura vai se colocar contra vocês. Nosso desejo é apoiá-los. Mas, se não ajudarem, é muito difícil. Nós vamos discutir isso com sobriedade. O objetivo não pode ser punir, mas mostrar que danos foram causados à cidade. Nós não vamos permitir isso. As multas estão mantidas. Nós vamos continuar cobrando que eles respeitem a concessão. Eles prestam um serviço público’, afirmou o secretário.
Eduardo Paes afirma que não vai mais permitir o bloqueio das vias

O prefeito Eduardo Paes afirmou na manhã do último domingo (03/04) que não vai permitir mais bloqueio de vias, como ocorreu no último protesto. O prefeito considera difícil a anulação das 180 penalizações aplicadas pela Guarda Municipal aos taxistas que manifestaram.
‘A gente quer ajudar os taxistas, mas fechar via ninguém vai fechar. Se bloquear as vias, a concessão será cassada e receberão uma multa forte. Nós não vamos aceitar. A gente aceita os protestos, mas sem a tentativa de provocar o caos na cidade e sem gerar antipatia da população. Não é nem inteligente", afirmou Paes, que também foi questionado sobre a falta de rigor durante o protesto. "Eu, pessoalmente, estava com eles às 10h. Fomos acompanhando. Era um movimento desorganizado. Não tinha lideranças tradicionais do movimento dos táxis. Foi um conversa muito breve: 'Ou termina imediatamente ou começa a cassar concessão'. Imediatamente, eles começaram a liberar as vias’, afirmou o prefeito.



Imagens:

1 - Fábio Gonçalves/Agência O Dia


segunda-feira, 4 de abril de 2016

O Caminho Mais Fácil


04/04/2016   
Coluna: Zé do Caroço
Autor: Guilherme Cunha


Poucas coisas são mais tentadoras na vida que o entorpecimento do caminho mais fácil, o qual é, muitas vezes, o caminho errado.

É mais fácil dizer que você é “do bem” e quem pensa diferente é “do mal”, em vez de refletir que fazer o bem consiste em se colocar contra o status quo de uma sociedade injusta.

É mais fácil identificar as pessoas por sua etnia, como o policial Newton Ishii, ou seu defeito físico, como o Lula e o Nestor Cerveró, desde que a “brincadeira” não seja com você. É mais fácil atacar uma mulher como a Dilma ou uma mulher negra como a Maju, porque se depois você se acovarda, vai ter um bando de alienado de ambos os sexos pra repetir que misoginia não é misoginia e racismo  não é racismo.

É mais fácil falar do Mensalão sem sequer saber o que é o Fundo Visanet. É mais fácil dizer que a justiça é apartidária, mas vibrar quando ela só investiga os governos do PT apesar de todas as denúncias contra os do PSDB. É mais fácil comemorar a prisão de um político do que quebrar a cabeça entendendo o desastre que é a libertação de um banqueiro como Daniel Dantas.
É mais fácil votar no Aécio e dizer que é pra tirar o PT, apesar de acreditar que ele também é corrupto.




É mais fácil acreditar que nós vivemos numa cleptocracia (o governo do ladrões) orquestrada pelo PT, como acusou o ministro do STF Gilmar Mendes, e não que essa cleptocracia é subordinada à uma plutocracia (o governo dos ricos), a qual incluiria não o Lula, mas uma série de criminosos – Jorge Farah, Roger Abdelmassih, Daniel Dantas – os quais, em algum momento, foram soltos porque eram ricos. É mais fácil se informar pelo Jornal Nacional, do que garimpar notícias pela internet.


É mais fácil dizer que não é de Esquerda e nem de Direita, e sim contra tudo de errado que está aí, o que é o mesmo que dizer que você está acima do bem e do mal e, na prática, perpetuar o lado mais forte, o qual, no nosso país, seria representado pela Direita e por um grupo restrito de ricas famílias e empresários, a quem direitos trabalhistas e ganhos sociais são um empecilho para o crescimento da economia, sobretudo a deles.


É sempre mais fácil ficar ao lado do mais forte.

É mais fácil acreditar que qualquer um que apareça na mídia falando mal do PT é um herói, não importa quantas vezes você quebre a cara com Cunhas e Moros.  É mais fácil acusar manifestantes a favor do governo de terem sido comprados com pão e mortadela e ignorar o filé mignon dado pela FIESP aos manifestantes a favor do impeachment. É mais fácil acampar na avenida paulista com barracas de camping, sob as bençãos dos plutocratas, do que ficar numa barraca de assentamento do MST lutando pela reforma agrária contra a bancada ruralista.
É mais fácil falar que o Foro de São Paulo é um plano secreto de dominação ao invés de procurar conhecer a fundo a conferência, que nem secreta é. É mais fácil dizer que o Lula é um analfabeto que deu péssimos exemplos de educação, ao invés de reconhecer que, apesar de não ter tido a oportunidade de concluir a educação formal, ele foi o presidente que mais investiu em universidades, cursos técnicos e inclusão no ensino superior, ou que Kim Kataguri e Olavo de Carvalho, dois dos maiores “expoentes intelectuais” da oposição, são pessoas que abandonaram deliberadamente a escola.



É mais achar que a cocaína era do piloto.

É mais fácil reclamar que pagamos muitos impostos do que se preocupar com o fato do Brasil ser considerado um campeão de sonegação dos ricos no mundo e de estudos apontarem que este crime tira mais dinheiro de países em desenvolvimento do que a corrupção. Afinal, de onde viria o dinheiro para os corruptores pagarem os corruptos?

É mais fácil achar que o país está uma merda justamente agora, quando grupos de pessoas constantemente marginalizados pela nossa sociedade finalmente começaram a adquirir direitos, porque boa parte desses grupos não fazem parte do seu círculo social mesmo. O que os olhos não veem o coração não sente.

É mais fácil falar hipocritamente que devemos pedir desculpas e devolver o país pros índios, mas não dar a mínima quando a terra deles é invadida por grandes latifundiários e madeireiras.

É mais fácil se apegar a uma ideia do que se desapegar de um preconceito. É mais fácil destruir do que construir. É mais fácil expulsar a presidenta do que combater a corrupção no Brasil. É mais fácil pedir impeachment do que reforma política.
É mais fácil discutir semântica do que dar o verdadeiro significado a esta tentativa de impeachment: golpe.




Imagens:

Tom coelho

Agencia Brasil EBC
MST.org

Fecbahia.com



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Batman VS Superman – A Polêmica


 01/04/15   -     Coluna:   Cine Manifesto   Autor:  Thaís Carlos

Primeiramente já deixo claro que este texto terá muitos spoilers, então recomendo assistir ao filme antes de ler – até porque fazer e ler crítica, na minha visão, é algo que se faz depois de assistir ao filme. E já fica o aviso de jamais abaixar suas expectativas perante a qualquer coisa que quiser consumir mesmo se estiver recebendo críticas negativas. Cada experiência é única em cada indivíduo e o texto a seguir relatará a minha com o tão polêmico filme Batman VS Superman da DC Comics:

Uma crítica à Crítica por uma “leiga”:

Minha crítica é “leiga” no sentido de que, os únicos quadrinhos que li da DC Comics foram os dos Jovens Titãs, e mesmo assim li pouquíssimos. Toda a minha bagagem das histórias da DC, vem do desenho animado Liga da Justiça (a adaptação de Bruce Timm e Paul Dini, ou “aquele que passava na hora do almoço no SBT”) e dos filmes anteriores do Batman e do Superman.  Vejo que ter assistido ao filme sem entender as inúmeras referências aos quadrinhos foi bom para tecer a minha crítica, porque o que eu mais li foram reclamações de que o filme possuía referências demais aos fãs dos quadrinhos, e que isso o tornava confuso, logo os leigos como eu não entenderiam. 

Essa afirmação me deixou bastante surpresa porque a maioria das perguntas que levantei durante o filme, foram respondidas no decorrer da história. Sejam por diálogos, sejam por atitudes dos personagens. É lógico que houveram muitos detalhes que não foram explicados, mas que deixaram o clima de mistério, a clássica receita em deixar o espectador ansioso para o próximo filme. Parece que os críticos esperam todas as respostas de uma vez, e esquecem que cada personagem possui um extenso passado, e que seria impossível explicar tudo isso num único longa metragem, ainda mais nessa época de consumo rápido. São poucos os que apreciam sem adormecer, atualmente, filmes extensos como “O Poderoso Chefão” ou “O Senhor dos Anéis”. E por citar essas trilogias, esquecem também que a receita é a mesma: levantar perguntas no primeiro, explicar parte delas no segundo, e concluir todos os mistérios no terceiro - e é isso que espero que aconteça nos próximos filmes. Pois Batman VS Superman deixa bem claro que haverá uma sequência.

 O que me leva a questionar que talvez boa parte da crítica não seja pelo filme ter um roteiro ruim, mas pelo comodismo “Superamigos” (em referência a animação de 1973 da Liga da Justiça) que estamos acostumados a assistir: histórias rápidas, onde tudo é explicado de forma bem direta, e que em essência se resumem a pessoas confiantes, honestas e bem humoradas com superpoderes que enfrentam outras pessoas com superpoderes só que problemáticas ou monstros que querem destruir o planeta. E Batman VS Superman, quebra justamente tudo isso.




O Roteiro:

O filme já começa com um velório (e termina com outro). Quem já assistiu Watchmen, logo percebe a semelhança nos tons sombrios da trama, que estendem-se assim até o seu fim. Definitivamente o roteiro não é feito só para se impressionar com lutas, rir com algum personagem engraçadinho e sair satisfeito por ter visto seus heróis salvando o mundo.

A história apresentada vai muito além disso, porque de um lado estão as reflexões de um humano que ao perder seus pais quando pequeno, decide-se tornar um justiceiro usando toda a sua riqueza para confeccionar super armas e super equipamentos para ajudar os habitantes de sua corrompida cidade. Até que de repente vê-se diante de uma possível ameaça: um alienígena com superpoderes devastadores, que passa a ser venerado pela humanidade, pois usa-os para o bem – mas, até quando? Como confiar que um ser de outro planeta nunca irá se corromper num planeta como a Terra?

Enquanto do outro lado, este ser alienígena que perdeu o seu planeta junto com todos os seus semelhantes, tenta encaixar-se escondendo-se como humano, num planeta com hábitos e sentimentos completamente diferentes dos seus. Questionando-se sobre o seus atos heróicos, se são sua verdadeira vontade, ou a vontade do pai terráqueo que o adotou.

Diferente de como o filme é vendido, Batman VS Superman, não é um filme sobre a luta entre dois super-heróis mas sim uma luta entre razão e emoção, deuses e a humanidade. É mais um conflito psicológico do que físico, onde qualquer escolha pode levar e salvar milhares de vidas.

 
O desencadear dos pensamentos de desconfiança do Batman sobre o Superman ocorrem após a chegada de uma nave alienígena a Terra, e durante a luta entre Superman e a criatura alienígena, milhares de vidas se perdem devido à destruição do centro da cidade. Um ano após o ocorrido, Lex Luthor o bilionário, herdeiro da empresa Lexcorp estuda sua nova descoberta sobre as pedras de kriptonita encontradas na nave alienígena, e tenta receber subsídios do governo para conseguir realizar seu plano de construir a única arma que pode deter o Superman, aproveitando-se do momento de descontentamento da população e fervorosos debates entre o governo contra a existência dele. Com o seu projeto sendo barrado pela senadora Finch, Luthor apela para meios mais... Explosivos. Colocando Superman como o vilão de ataques terroristas, despertando a ira em Batman, que já estava ainda mais atormentado, após ter recebido uma visão distópica do futuro de um viajante do tempo, onde a Terra está sendo dominada por alienígenas liderados por Superman. Bruce Wayne então, arma-se por completo para enfrentá-lo. O que para a surpresa de ambos, não passava de um plano muito bem elaborado de Luthor, para conseguir derrotá-lo pelas mãos do morcego...

Eu não sei qual foi a grande dificuldade em assimilar essa história. É óbvio que os detalhes dos quadrinhos enriqueceriam mais ainda as motivações dos personagens, porém, os acontecimentos que desencadeiam a luta entre os dois são claros, assim como a criatura feita do DNA de Luthor e o alienígena, surge para a batalha final também, então eu me pergunto o que ficou de tão confuso em tudo isso?

O roteiro peca apenas em ser mais um filme do Batman, por focar apenas em exibir o passado dele, já muito bem explorado nos filmes anteriores do Nolan. Tornando vagaroso o início do fim. Não sobrando espaço para explorar a história do Superman, e principalmente de Lex Luthor, o grande vilão da trama que não fica claro se o que está fazendo é apenas para satisfazer o prazer de ver o circo pegar fogo na sua loucura como o Coringa, ou se é por ter uma certa inveja do Superman. Menos ainda é falado sobre a Mulher Maravilha, que tem um papel crucial na batalha final, mas como disse anteriormente, são os mistérios que provavelmente serão explicados no filme Liga da Justiça que tem data de estreia em novembro de 2017.

A Estética (Efeitos e fotografia):
Um dos pontos mais fortes do filme são suas cenas de luta. O que os críticos costumam chamar de exageros do diretor de fotografia Larry Fong e Zack Snyder, eu considero uma verdadeira obra de arte. Movimentos de câmera que exibem toda a movimentação durante cada golpe do personagem, sem uma grande quantidade de cortes, que exagerados causam desconforto e um cansaço de acompanhar as cenas. E o slow motion nos momentos certos, fazendo com que a luta entre deuses torne-se algo grandiososo e admirável, você vê com clareza o que está acontecendo, e a sensação de imersão na luta é muito maior. Técnica já aproveitada de um dos seus filmes anteriores “300”, só que sem toda aquela brutalidade exagerada. Cada golpe da Mulher Maravilha é como uma pintura. Em destaque para a cena do pulo, onde a câmera parece saltar junto com ela.



A Direção:

Observando as críticas, Zack Snyder é aquele diretor que possui o trabalho amado e odiado ao mesmo tempo. Enquanto muitos dizem que seus filmes não são bons o suficiente, a ponto de criarem petições para que ele não dirija o próximo filme da DC. Eu os considero verdadeiras quebras ao tradicionalismo nas histórias de super-heróis, com personagens apaixonantes, inspiradores e surpreendentes. São filmes repletos de reviravoltas, com cenas de ação impressionantes, e cenas marcantes com suas “fantasias realistas”, pois são cenas com um belíssimo trabalho de computação gráfica que tornam impecáveis os efeitos, nos imergindo naquele mundo. São filmes que marcam tanto pela história quanto pela estética, com suas paletas de cores sombrias ou super saturadas. Se um diretor consegue deixar uma boa identidade visual a um filme, e gerar tantos debates, significa que ele não é um diretor qualquer.

O Som:

Outro aspecto que também não entendi a crítica negativa. A trilha sonora o deixa tenso o filme inteiro. Tanto com as explosões, tanto com os sons dos veículos, a imersão nas cenas de ação e de suspense é total, deixando-o ansioso e em agonia ampliando a sensação de: O que vem agora? Sinto que as coisas não vão dar certo, algo grande vai acontecer. E quando acontecem, o espanto é certo. Algo de se esperar do compositor Hans Zimmer, que fez obras como “O Rei Leão”, e a trilogia do Batman, de Christopher Nolan. Mas em termos de inovação acaba falhando, porque não chega aos pés dos filmes anteriores do Batman, logo, A trilha de Batman VS Superman funciona para manipular o público naquele momento, mas não é marcante. Talvez seja por Zimmer querer se aposentar dos filmes de super-heróis, por ter encontrado muita dificuldade em compor a trilha desse filme. De acordo com sua entrevista na BBC.


As Atuações:

 Destaco a atuação de Ben Affleck, que veio para silenciar as más línguas que ainda o assombravam com sua atuação em “Demolidor”.  Passando muito bem a imagem de um Batman impiedoso, manipulador, onde nada que entre em seu caminho sobrevive à sua sede por justiça e um Bruce Wayne atormentado pelo passado, se escondendo atrás da máscara de galanteador e playboy perante a sociedade. Enquanto Gal Gadot como Mulher Maravilha, aparece poucas vezes no início para fazer o mistério, quando entra em cena com seus braceletes poderosos é estonteante, mostrando toda sua garra e força para lutar contra a criatura. Já Henry Cavill como Superman por sua vez, acaba ficando ofuscado, até mesmo na batalha final, pois sua grandiosidade apenas surge em seu sacrifício e em poucas cenas no decorrer do filme, como a das pessoas salvas no incêndio o tocando como personificação de um deus, talvez por ter feito um papel pouco explorado, onde a maioria de suas aparições resumem-se a refletir sobre seus objetivos e salvar Lois Lane – cuja atuação de Amy Adams está muito boa, mas a personagem não empolga tanto, mas não deixa de ser forte, mesmo tendo que ser salva constantemente, mas porque arrisca-se sem medo em busca da verdade, como uma excelente jornalista.  Outros papéis secundários que merecem destaque são os de Jeremy Irons – apresentando uma versão diferente do mordomo do Batman, um senhor sarcástico e rabugento, que faz piadas sobre a situação de seu patrão. Laurence Fishburn – como o estressado e rígido chefe de edição do Planeta Diário e Holly Hunter como a senadora Finch, uma mulher de fortes convicções e por elas vai até o fim, mesmo que coloque sua vida em risco. E por último, deixo para falar sobre o controverso Lex Luthor, talvez por não ter entendido muito bem seus objetivos, Lex é aquele clássico psicótico, uma personalidade que muitos dizem ser bom por inovar o personagem, enquanto outros a criticam por ser idêntico ao Coringa de Heath Ledger dos filmes do Nolan. Eu particularmente, não achei inovador porque achei semelhanças absurdas com o personagem de Brad Pitt em “Os 12 Macacos”: O mesmo herdeiro problemático, que tenta sair da sombra do pai, e que tem frases filosóficas sobre os verdadeiros anseios da humanidade e o desejo de destruí-la em meio à cacoetes e frases sem sentido. Jesse Eisenberg como Lex Luthor – ame-o ou deixe-o.  
 

Os Fãs dos Quadrinhos:

 Para os fãs, o filme é um prato cheio, e é deles que vem quase toda a crítica positiva a esse filme repleto de referências, que entendi após conversar com alguns amigos que também são fãs. Citando a mais forte, que é a visão do Batman no deserto distópico, o símbolo do Ômega no chão, deixa claro que o próximo vilão, talvez o tal “ding ding ding ding ding, digo, chamado que  Luthor enviou, é o supervilão da DC: DarkSeid. Há também, uma referência à morte do Robin, quando Batman olha para a vestimenta pichada pelo Coringa “Jokes on you Batman”, um dos motivos que esse Batman, seja tão amargo. O próprio viajante do tempo que é o Flash, como também mostrado na história em quadrinhos, que tem o poder de voltar no tempo por correr na velocidade da luz, fora as cenas das pesquisas com os meta-humanos, onde capturam as aparições de Aquaman, Flash e Cyborgue.  Em suma, o filme é um convite para mergulhar de cabeça nesse universo da DC, e ler os quadrinhos, o que não é ruim e torna até mais interessante.   

Considerações Finais:

Batman VS Superman, não é um filme feito para os críticos, parafraseando a atriz Amy Adams, Veja a entrevista completa aqui.

O longa fez os fãs de quadrinhos se apaixonarem e agrada aqueles que não leram, mas que prestaram toda a atenção nas cenas, se bem que dificilmente uma pessoa que não é fã dos super-heróis, e que nunca tenha lido ou assistido nada a respeito deles (o que é mais difícil ainda), se desloque até o cinema para comprar ingressos.

Quanto a forte crítica negativa, deixo a minha reflexão: Será que é porque uma certa concorrente também pretende lançar um filme de super-heróis VS super-heróis esse ano? Assistam ao filme e tirem suas próprias conclusões. Vale a pena ver em tela grande todas aquelas explosões colossais. Batman VS Superman consegue unir o melhor de dois mundos – cenas de ação “blockbuster” e diálogos inteligentes, então não hesitem em ter essa experiência, e tenham um bom filme!

PS: Assistam as cenas cortadas que estão disponíveis no YouTube, pois respondem outras perguntas. 
Imagens:

1 - Reprodução
2 - Thaís Carlos
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