segunda-feira, 28 de março de 2016

A tal da Intimidade.


27/03/16    -    Coluna: Cronicrando   Autor(a): Bruna Rafaela

Certo dia um casal de namorados conversavam sobre o amor ....

Suas maiores dúvidas não eram nem sobre o sentimento em si, mas sobre o que o recobre, a intimidade! Pois é, aquela tal coisa que existe entre todos os casais, sejam eles orientais, ocidentais, crédulos ou incrédulos, tampouco importa, ela está ali em diferentes doses e formatos. Admitamos que as vezes chega a ser quase uma vizinha chatinha, nos coloca em situações embaraçosas, mas fato é, que é necessário que ela esteja ali. Muitos veem só o lado complicado dela, mas esquecem de vislumbrar as suas multi facetas coloridas e apaixonantes.  Isto acontece porque geralmente a atrelamos basicamente à sexo, mas ela não deveria andar de mãos dadas com o emocional? Afinal, intimidade vem de íntimo, que por sua vez vem de particular, ou seja, algo que deve ser maravilhoso entre um casal, uma parceria, quase um olhar secreto.

Intimidade não é saber a cor da calcinha ou do sutiã... Intimidade é saber a cor dos sonhos, o tom do humor, da pirraça e do carinho quando quer se expor. Intimidade é saber a cor dos olhos quando choram, a curva exata dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém se despir das roupas.

Intimidade é ver alguém jogar seu orgulho no limbo, se despir de suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas, dos seus medos e barreiras. Intimidade é quando nossos sonhos pairam e caminham sobre o sonho de alguém, então tudo se torna macio e a vida respira como seda...

Intimidade é acender um só candelabro para a caminhada de ambos..

Intimidade é amor, é entrega, não a entrega do corpo.

Mas sim a entrega mais difícil: a entrega do coração!

Entendendo desta forma, fica fácil resolver questões como quando o marido acordar de manhã e dar de cara com a esposa de cabelo em pé, ou quando a esposa pega as meias sujas do marido.

Ahhh, pegue os cabelos em pé, as meias sujas e leve ambos para um bom banho quente debaixo do chuveiro.
Imagem:
BoredPanda.com

Há 25 anos Ayrton fez história ao vencer o GP do Brasil


28/03/16    -    Coluna: Esporte Manifesto    Autor(a): Leandro Soares

Há exatos 25 anos, no dia 24 de maço de 1991 Ayrton Senna vencia pela primeira vez o GP Brasil de Fórmula 1, conquistado no circuito de Interlagos, em São Paulo. Vitória em que Senna almejava tanto e veio a conseguir na oitava tentativa, desde sua estreia que ocorreu em 1984 quando iniciava sua trajetória na categoria com sua pequena equipe Toleman, no circuito de Jacarepaguá no Rio de Janeiro.

O final de semana daquele GP Brasil foi intenso, pois os treinos livres apresentaram uma Williams extremamente forte com sua dupla de pilotos Nigel Mansell e Ricardo Patrese, como os grandes favoritos a brigar pela vitória. Já Ayrton vinha no embalo de bons resultados, com a recente conquista de seu bi-campeonato, e pela vitória que havia conquistado na estreia da temporada de 91, ocorrida no GP do EUA, no Texas.


Basicamente aquele final de semana resumiu nas disputas entre os carros Williams que já aparentava ser a grande força daquela temporada, mas que sofria com a confiabilidade do seu carro cheio de recursos eletrônicos, e Senna em um bom momento embalado por correr em casa.

Na classificação foi o aperitivo de como seria a corrida no dia seguinte, Mansell cravou a pole. Porém, Patrese logo na sequência superou o leão e cravando o melhor tempo tomando a primeira posição deforma que surpreendeu a todos, com um incrível tempo 1:16.775’. Sendo que na sua última tentativa, Ayrton literalmente voou no traçado de Interlagos e arrancou no final do treino a pole positian de Patrese, estabelecendo o tempo 1:16.393’ levando o público ao delírio.

Link da volta que marcou a pole de Ayrton

 
 
No domingo (24/03), com o tempo instável em torno do autódromo apontava como mais um ingrediente para colocar mais emoção ao público e um drama aos competidores durante a corrida. O grid de largada formado por Ayrton, Patrese, Mansel e Berger que ocupavam as duas primeiras filas. Um susto antes da largada com o carro de Berger que teve um princípio de incêndio, apagando logo na sequência após a largada. Nesse momento Senna disparou na frente, sendo seguido por Nigel Mansel, superando Patrese logo na largada.

Durante boa parte da corrida a disputa ficou entre o brasileiro e o inglês, se distanciando dos demais competidores. Senna obteve vantagem após sua parada nos Box, onde foi bem sucedida sendo que o leão teve problemas. Nesse momento Ayrton obteve uma vantagem mais de 30’ segundo a frente de Mansel. No entanto esta vantagem começou a diminuir, quando a caixa de câmbio de Senna apresentou os primeiros sinais de problemas.

Enquanto Mansell começava a se aproximar na caça ao líder, sua Williams também apresentou problemas com o seu câmbio - que era um semi-automático, novidade naquela época – fazendo o leão rodar no S do Senna, terminando assim sua participação no GP. Com isso Patrese assumiu a segunda colocação com uma diferença de mais de 40 segundos atrás de Senna, completadas 60 voltas, num total de 71.

No que se encaminhava para uma vitória tranqüila, se tornou uma corrida dramática. A cada volta que se completava o problema de Ayrton se agravava, primeiro foi a terceira e quinta marcha a falhar e na sequência foram as demais, travando o câmbio na sexta marcha. Na época a informação não era tão instantânea como nos dias de hoje. Quando um carro perdia rendimento, sabia que apresentava algum problema, mas não com precisão, para poder explicar o tempo de 1:28.9’. O resultado disso na prática foi aproximação assustadora de Patrese em cima de Senna, que nessa altura virava 1:22.3’.


Com adrenalina nas alturas, ninguém foi capaz de perceber que nas voltas finais Ayrton não mexia mais na alavanca do câmbio – naquele período o cambio da maioria dos carros era manual, tendo uma alavanca localizada na parte de trás do volante – além de comentários de quem acompanhava de perto a corrida, percebia que o barulho do motor do Senna não tinha tanta força na reta, enquanto o motor de Patrese berrava de forma ensurdecedora. 

O drama aumentou de vez com a chuva que começou a cair no circuito de forma leve, porém o suficiente para fazer um piloto rodar com o carro.  Nesse momento que começa acontecer o inexplicável. Ayrton começa acelerar mais fazendo que a diferença não caísse bruscamente, assim conseguindo marcar 1:25.7’, enquanto Patrese girava em torno 1:21.6’ já nas voltas finais com uma diferença que era de 40s, para apenas 8s.

Nas últimas voltas veio à consagração, com a chuva apertando cada vez mais deixando a pista sinuosa e perigosa. Senna de forma inexplicável acelerou ainda mais, registrando o tempo 1:24.7’ enquanto Patrese com dificuldades que o asfalto molhado apresentava, marcava 1:23.4’.
Desta forma veio a vitória do GP Brasil, a primeira de Ayrton em casa com uma diferença de apenas 3 segundo para o segundo colocado. De forma dramática, com muito esforço e dor, ele levou mais de 70 mil torcedores que lotavam o autódromo ao foram ao delírio, que junto com locutor de televisão passava essa mesma mensagem aos telespectadores com a forma emocionada por narrar àquela linha de chegada. Isso ficou bem claro pela forma emocionada e marcada pelos gritos eufóricos de Senna, dentro do cockpit, não havendo a necessidade de tradução para o mundo que acompanhava aquele momento.

Todo esse esforço levou Ayrton ao limite, não conseguindo conduzir o carro aos boxes devido às dores musculares causada pelo esforço extremo. Mesmo sem força física, para se manter em pé, ele fez questão de comparecer ao pódio. A dificuldade em levantar o troféu demonstrou a todos o quanto foi difícil conquistar aquela vitória. Mas a sensação que tenho e está gravado em minha memória é que tudo aquilo só foi possível com a energia da torcida que acelerou junto e emanou força, para tudo aqui ter sido possível.

No final Senna descreve emocionado como conseguiu realizar tal feito – "Achei que não ganharia. Nas últimas 3 voltas, pensei 'se der vai ser no grito. Mas lutei tanto pra chegar nisso. Vai ter que dar" e completou dizendo "Deus me deu essa corrida".

Sem dúvidas esse foi uma corrida especial de Ayrotn, não só por ter vencido em casa mas pela forma que foi construída, do que seria impossível se tornar possível. Algo que ele fazia com muita maestria, tornando especial e inesquecível. Quem presenciou aquele momento terá marcado na memória. Para quem não pode presenciar, compartilho esse momento com essa singela homenagem desse dia inesquecível, e claro com a ajuda do youtube.

Volta final mais pódio

 




Imagens:

Reprodução



domingo, 27 de março de 2016

O Jesus Político


27/03/16   -    Coluna: Zé do Caroço (edição extra)    Autor(a): Guilherme Cunha




Muito se fala sobre Jesus, mas pouco se reflete sobre o seu papel na sociedade há dois mil anos. Guardadas as devidas proporções, o Jesus histórico seria alguém considerado de Esquerda.

Evidentemente os conceitos de Esquerda e Direita foram criados muito depois, nas Assembleias da Revolução Francesa, e bastante modificados com o decorrer do tempo. E muitas das questões das quais se originam as versões atuais de Direita e Esquerda não existiam ainda no tempo de Jesus. Como por exemplo o Coletivismo Ocidental, que veio de Santo Agostinho, e o Individualismo Humanista Ocidental, que veio de Erasmo de Roterdã.

Por isso, historiadores costumam achar errado aplicar retroativamente conceitos posteriormente elaborados. Essa prática é chamada de Vício Wiginista e popularmente conhecida como Anacronismo.


Porém, já foi comprovado pela psicanálise a existência de um Inconsciente Coletivo, cujo conceito foi desenvolvido por Carl Jung, e que afirma que todos nós nascemos com um inconsciente inato, que existe independente da experiência individual de cada um. A forma do nosso contato com o Inconsciente Coletivo é através dos Arquétipos, herdados geneticamente de uma civilização, uma etnia ou um povo.

Os Arquétipos – conceito neoplatônico criado antes de Jung – seriam, de acordo com o psicanalista, os modelos pelos quais a psique humana se expressa. Vários pesquisadores tomaram como base esse raciocínio para explicar as semelhanças encontradas entre diversos grupos de pessoas ao longo da história, que eram separados em milhares de quilômetros e milhares de anos e, mesmo assim, apresentavam comportamentos, narrativas e tradições convergentes.

Joseph Campbell elaborou seu famoso estudo A Jornada do Herói com este pensamento, mostrando semelhanças entre histórias que se passavam em tempos e lugares diferentes, mas guardavam pontos em comum, os Arquétipos. Isto incluiu a própria trajetória de Jesus.
Eu não sou historiador nem psicanalista, mas respeito o trabalho de ambos. No entanto, como é evidente que existe uma contradição entre eles, vou tomar a liberdade de seguir uma linha de raciocínio, deixando a outra de lado.

 
Jesus viveu num período em que o Império Romano governava boa parte do mundo, incluindo a Palestina, cuja capital, Jerusalém, fora conquistada pelos exércitos do General Pompeu em 63 a.C. Após este fato, Tibério tornou-se o imperador de Roma sucedendo Augusto e para ele a região da Palestina nada mais era do que uma das muitas províncias conquistadas, que foram obrigadas a se submeter às leis romanas. Roma era o centro do mundo, com religião, leis e costumes próprios. A Palestina foi então dividida em duas províncias: Judeia e Galileia. Entre as duas ainda existia a Província da Samaria, dos dissidentes dos judeus chamados Samaritanos, que também estavam sob o jugo do Imperador.
Os judeus viviam oprimidos por uma ditadura militar. Tibério controlava aquele povo através de reis de fachada. Foi daí que surgiu a linhagem de Herodes, que era idumeu e não judeu. O representante de Roma era quem de fato exercia o poder como governante da região. Neste caso, o Prefeito (ou Procurador) era Pôncio Pilatos, cujo governo foi considerado brutal demais até mesmo pelo império.
Já os Judeus eram um povo intimamente ligado à religião, tanto que na prática os sacerdotes eram mais influentes entre o povo do que Herodes, vivendo numa instável disputa de poder com os romanos. Os grupos mais conhecidos eram: Saduceus, Zadoqueus (ou Zadoquitas), Fariseus, Herodianos, Essênios, Zelotes (ou Zelotas) e Sicários.

Vamos observar a seguir cada um desses grupos, seu papel político na sociedade, e como Jesus se relacionava com eles:

Na Extrema Direita estavam os Fariseus. Eram a classe média da época e bastante influentes. Acreditavam mais na tradição oral do que na das Escrituras, eram nacionalistas e avessos à influência estrangeira. Acreditavam em anjos, demônios, na ressurreição e na vinda de um Messias. Dividiam-se entre as doutrinas das Escolas de Hilel, mais liberal, e de Shammai, mais radical.

Jesus teria sido um fariseu - pois era chamado de rabino, título que apenas os fariseus poderiam carregar – da Escola de Hilel. Hilel, o Ancião, que morreu antes de Jesus nascer, era o autor da frase “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você”, que muito influenciou nos ensinamentos de Jesus. O sábio também dizia para se orar por aqueles que lhe desejavam o mal. Jesus teria se baseado neste ensinamento para professar o seu pioneiro e contundente conceito de “Ame os seus Inimigos”.

Como logo veremos, Jesus seguiu outras correntes da época e passou a entrar em atrito com os fariseus, pois considerava seu conservadorismo hipócrita. Ou seja, faziam tudo diferente do que professavam e eram, inclusive, materialistas.

Na Direita estavam os saduceus. Eram um pequeno grupo de aristocratas de classe alta. Tinham mais abertura para a influência estrangeira e acreditavam mais no estudo das Escrituras que na tradição oral. Também tinham mais poder na escolha do Sumo Sacerdote, além de demais membros do Templo e autoridades, do que os fariseus, com quem tinham uma rixa. Eram céticos à respeito de anjos, demônios e milagres.

Também se tornaram inimigos de Jesus e teriam sido responsáveis, junto aos romanos e parte dos fariseus, pela conspiração que mandou executá-lo. O personagem título da obra Ben-Hur, no início da história, é um exemplo de saduceu.
Na Centro Direita estavam os zadoqueus. Eram um grupo dissidente dos saduceus, mais voltados à espiritualidade e à espera do Messias. Viviam mais isolados pois reprovavam a corrupção do Templo. Apesar de alguns estudiosos os classificarem como Extrema Direita, é a seita sobre a qual menos se tem informações. Tomo a liberdade de classificá-los como a Direita moderada por seu caráter reformista aparentemente pacífico e por seu paralelismo ideológico com os Essênios. Não consta que tenham tido qualquer relação com Jesus.




No Centro estavam os herodianos. Eram um grupo político também dissidente dos saduceus e partidário do apoio à linhagem do Rei Herodes, pois consideravam que ele era o Messias, embora pouco fossem ligados à religiosidade. Ao contrário de alguns estudiosos, que os classificam como de Esquerda, o mais provável é que fossem de Centro pois, como todos os partidos de Centro ao longo da História, se alinhavam a quem detinha o poder.

Além de Herodes, se aliaram aos saduceus na forma de lidar com a religião (privilegiando as Escrituras em vez da tradição oral) e depois acabaram formando uma aliança com os fariseus contra Jesus.

Na Centro Esquerda estavam os Essênios. Eram um grupo espiritualizado que, a exemplo dos zadoqueus, viviam isolados como uma crítica à corrupção do Templo e da sociedade. No entanto, tinham regras muito específicas de convivência e comportamento, com completa renúncia ao materialismo. Não se deitavam com mulheres (nem as aceitavam entre eles), só usavam branco, lavavam-se para comer e eram vegetarianos. Alguns estudiosos os classificam como de Extrema Direita, o que parece impossível para os padrões atuais, já que tinham uma existência comunitária que abolia a propriedade privada.

Inspiraram bastante o cristianismo e particularmente os monges cristãos. Apesar de Jesus não poder ser considerado um essênio, pois não seguia muitas das rígidas regras deles – o próprio fato de Jesus se misturar com o maior número de pecadores possível vai contra toda a ideia de pureza pregada pela seita - é evidente que tanto Jesus quanto João Batista tiveram contato com a doutrina dos essênios em algum momento de suas vidas anterior ao batismo no Rio Jordão. É possível mesmo que ambos tenham convivido diretamente com membros desse grupo, que os influenciou pelo resto de suas vidas.

Os essênios também esperavam pelo Messias. Curiosamente, uma das pessoas que foi considerada como o tal foi Menahem, o Essênio, que viveu na corte do Rei Herodes I - o Grande, aquele que conheceu os Reis Magos. Por ser amigo desse Herodes, que tinha grande respeito pela seita, Menahem tinha que usar diplomacia, pois os essênios detestavam os romanos. Quando o Rei morreu, pouco depois do nascimento de Jesus em 4 a.C. (Jesus não nasceu no Ano 0 por um erro do cálculo do calendário cristão), o seu destino fica nebuloso na História.
De acordo com o Talmud, Menahem foi excomungado por Hilel, o Ancião, com quem teve uma desavença, e também por outros sábios por ter agido mal. Historiadores sustentam que Menahem teria se proclamado messias e liderado uma tentativa de revolta. Possivelmente terminou sendo morto pelos romanos, que supostamente  deixaram seu cadáver jazer no chão por 3 dias.

 
Na Esquerda estavam os zelotes. Eram um grupo, teoricamente dissidente dos fariseus, cuja principal característica era a luta contra a opressão e ocupação romana para tornar Israel novamente uma nação soberana. Seus fundadores foram Judas, o Galileu (também conhecido como Judas de Gamala), um daqueles considerados Messias por parte da população pouco antes do surgimento de Jesus, e o fariseu Zadoq.

Este Judas liderou uma revolta judaica contra os romanos em 6 d.C., motivado por um censo que tinha por finalidade estabelecer uma carga de tributos a serem cobrados do povo. Sofreram dura repressão do império e não se sabe o que houve com Judas, o Galileu, mas provavelmente foi morto em batalha, ou executado após ser aprisionado. Mas os Zelotes continuaram a existir, defendendo a revolução.

Jesus aparentemente tinha uma relação de tolerância com eles e é mais do que provável que muitos dos seus seguidores fossem zelotes. Um dos seus discípulos era chamado Simão, o Zelote. Para alguns estudiosos, Judas Iscariotes era um zelote que teria se decepcionado com o pacifismo e aversão de Jesus pela luta armada contra os invasores. Existe até mesmo a versão de que ele entregou seu Mestre aos Sacerdotes do Templo para que Jesus se identificasse como Messias e os liderasse contra Roma, apesar do próprio Jesus ter avisado aos discípulos que seu destino era outro.

Alguns anos após a crucificação de Jesus, entre 66 d.C. e 73 d.C., os zelotes lideraram a Grande Revolta Judaica contra Roma. Foi uma revolução que fracassou. Os romanos, então, destruíram o Templo, do qual não sobrou pedra sobre pedra, exatamente como Jesus previra.

Na Extrema Esquerda estavam os sicários. Eram um grupo dissidente dos zelotes, e mais violento. Seu nome vinha da pequena adaga que carregavam debaixo das vestes. Em locais públicos os sicários as sacavam e matavam romanos e judeus simpatizantes para, em seguida, escaparem se misturando com a multidão. Com o passar dos anos, a palavra sicário passou a ser usada para designar assassinos de aluguel.
Alguns acreditam que Barrabás era um sicário e por isso ele estava preso quando foi chamado por Pilatos para que o povo escolhesse, entre ele e Jesus, quem seria libertado. Também há quem acredite que o motivo da multidão escolher dar a ele a liberdade tenha sido uma manobra de alguns saduceus, fariseus e romanos de apresentarem um herói popular – pois fazia parte da resistência contra o império – que cairia nas graças daquela gente, ao contrário de Jesus, acusado de heresia, e no fundo muito mais perigoso para o status quo dos poderosos, já que supostamente alegava ser o Rei dos Judeus.



Mas vale salientar que quase todos estes segmentos apresentados acima eram bastante excludentes. Os fariseus representavam aproximadamente 3% da população e essênios e saduceus cerca de 2%. Provavelmente os zelotes tinham muito mais simpatizantes entre a população miserável dos judeus da Antiguidade. Essa massa popular era conhecida simplesmente como Povo da Terra.

Além da população judaica, ainda haviam diversos peregrinos, especialmente em Jerusalém, e os já citados samaritanos e romanos. Neste contexto, fica claro que Jesus se encaixava com a Esquerda daquele período, e quase sempre estava em oposição à Direita. Mais do que isso, ele abraçava muitas ideias que seriam defendidas pela Esquerda no futuro.

Jesus era contra a revolta armada contra Roma, pois segundo ele a libertação viria de um modo espiritual e não no mundo físico. Evidentemente era contra a opressão causada ao seu povo, mas enxergava tudo aquilo como algo menor no contexto geral das coisas.

Tanto que dizia “Meu reino não é desse mundo”. Não se importou em curar o servo de um centurião. Pegou um publicano (cobrador de impostos), Mateus, e o fez seu discípulo. Questionado se era correto pagar tributos à Roma, pegou uma moeda e perguntou de quem era o rosto da imagem. Ao responderem que era César, proferiu um baita exemplo do que hoje nós conhecemos como o conceito do Estado Laico:

“Dê a César o que é de César. E dê a Deus o que é de Deus.”

Porém, isto não significava que aceitava o status quo e nisso se assemelhava a Esquerda do seu tempo (não é coincidência que hoje em dia a maioria das releituras coloque Jesus ora como zelote, ora como essênio). A diferença é que era inclusivo e não excludente.

Num período em que judeus e samaritanos se odiavam mutuamente – os samaritanos eram descendentes de judeus com outros povos, além de professarem a religião de outro modo, e por isso sofriam preconceito – Jesus ia na contramão dessa xenofobia. Ofereceu a “água da vida” (ou seja, a salvação da vida eterna) à mulher samaritana que encontrou no poço e intencionalmente contou aos judeus a parábola do Bom Samaritano, a qual ficou tão famosa que, com o passar do tempo, samaritano transformou-se em sinônimo de altruísta.
Sobretudo, Jesus se preocupava com a qualidade de vida das pessoas. Multiplicou os pães e os peixes para alimentar uma multidão de seguidores famintos. Curou inúmeras pessoas afligidas por diferentes enfermidades. Quando curou um cego de nascença – que segundo a tradição havia nascido daquela forma por vontade de Deus pelos pecados de seus pais – disse: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.”



Ao realizar curas num sábado, o que era proibido, teve um de seus diversos atritos com os fariseus e os escribas, doutores da lei (eruditos pedantes do período). Isso se repetiu quando seus discípulos foram colher espigas para comerem, o que também era proibido no sábado. Questionado pelos fariseus, afirmou: “sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”.

Mas seu maior atrito com os fariseus e escribas foi quando os chamou de raça de víboras, acusando-os de serem guias cegos do povo judeu e hipócritas na sua falsa devoção à Deus. Sua preocupação em propagar o amor ao próximo e a fazer os seres humanos se importarem uns com os outros pode ser sintetizada nessas palavras:

"Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes".

Mateus 25:35-40
Na Santa Ceia, Jesus repartiu o pão de maneira deliberadamente simbólica. Alguns apontam neste gesto a primeira prática do socialismo. Outros são contrários a isso, apontando a Parábola dos Talentos – onde servos bons multiplicam o dinheiro lhes dado por seu senhor e o servo mau apenas devolve o mesmo dinheiro que não fora aplicado - como um exemplo de como Jesus incentivava o que depois se tornaria o Capitalismo. Só que quase todas as Parábolas funcionavam como metáfora. O dinheiro dessa história poderia simbolizar um dom a ser trabalhado, ou qualquer outra graça concedida por Deus aos homens, para que a desenvolvessem, e não necessariamente dinheiro no sentido literal.

De fato, o Papa Francisco já declarou que considera os comunistas como os cristãos não convertidos, pois o comunismo teria pego para si várias bandeiras defendidas pelo cristianismo. Além disso, é praticamente impossível imaginar Jesus como um adepto do modelo capitalista atual do mundo, pois sempre fora um opositor ferrenho da ganância.


Certa vez um homem inusitadamente pediu-lhe que fizesse seu irmão repartir a herança com ele. Em um raro momento em que destitui-se de autoridade sobre algo, Jesus falou: “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós ?” Em seguida fez um alerta: “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza. Porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui."

Quando foi procurado por um jovem rico, disse-lhe para vender todos os seus bens e distribuí-los aos pobres. Ao ver mercadores trabalhando dentro do Templo, encolerizou-se e os atacou. Explicou textualmente: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.”

Não é de se admirar que o episódio mais infame da história do comércio no mundo foi quando Judas vendeu Jesus por 30 moedas de prata.

Pois Jesus sempre apontou o caminho oposto ao da ascensão pessoal na sociedade terrena, tão passageira quanto ilusória:

"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração."

Mateus 6:19-21



Feliz Páscoa!

Imagens:

1 – gospelprime.com.br
2 - Wikipedia
3 - josefranciscoartigos.blogspot.com
4 - costumesdabiblia.blogspot.com
5 - Imagick
6 - iadrn.blogspot.com
7 - santuariodelasmercedes.org
8 - semeandorcc.pdf.blogspot.com
9 - odiscipulogauderio.com
10 - radioc.com.br

sexta-feira, 25 de março de 2016

4 Filmes e Documentários para refletir acerca do atual cenário de tensões sócio-políticas brasileiro


25/03/16    -    Coluna: Cine Manifesto    Autor: Thaís Carlos


Não é de hoje que sabemos o poder do cinema em apresentar e questionar a história de um povo. Seja esta história apresentada de forma fictícia – ou não.

Tudo o que consumimos de audiovisual foi escrito, selecionado, maquiado, iluminado, filmado, dirigido e montado, pensando em transmitir uma mensagem. Pois não se enganem - a tal “magia do cinema” nada mais é do que reações premeditadas. Tudo o que é sentido e imaginado por nós espectadores, já era esperado por aqueles que estudaram e fizeram o filme, ou o programa de TV, ou aquele comercial...

É com este breve resumo de como funciona a indústria audiovisual, que apresento filmes que irão fazer-lhe questionar também, o que lhe é apresentado diariamente.

Pergunte a si mesmo: O que anda consumindo?  Quais são suas opiniões e no que elas são baseadas? Será mesmo que não estão o enganando?

Neste momento de tensões políticas e sociais no cenário do Brasil, é de extrema necessidade entender as propostas de ambos os lados – e quem são esses lados. Ou melhor, se é realmente necessário ainda haver essa polarização de ideologias, enquanto a verdade que bate à nossa porta é a divisão entre aqueles que possuem poder e aqueles que não tem nada.   

Os 4 filmes à seguir, foram escolhidos por tratarem-se de histórias que repetem-se, e ainda estão acontecendo hoje.

1 - Boa Noite, e Boa Sorte (2005)


Dirigido por George Clooney, este filme mostra uma história real da década de 50, no auge da Guerra Fria e das transmissões jornalísticas pela recém chegada televisão.

O protagonista Edward R. Murrow é o apresentador do famoso programa de jornalismo investigativo com uma das maiores audiências da CBS, o See It Now. 

Murrow (David Strathairn) e seus jornalistas - o produtor Fred Friendly (George Clooney), o redator Don Hollenbeck ( Ray Wise), Joey (Robert Downey Jr) e Shirley Wershba (Patricia Clarkson), resolvem investigar o caso de um membro da Força Aérea americana que fora afastado pelo motivo do pai ler um jornal sérvio, graças a uma política de segurança nacional implantada pelo senador Joseph McCarthy que consistia em perseguir e condenar qualquer cidadão suspeito de pertencer ao Partido Comunista ou que compactuasse com seus ideais. A medida era tão drástica que até mesmo cidadãos que simplesmente não concordassem com as palavras do senador, poderiam ser incluídos na famosa lista de “comunistas em potencial”. A partir daí toda equipe é mobilizada para investigar o caso e questionar publicamente em seu programa a justiça americana pelas constantes audiências mesmo com a ausência de provas, os discursos de ódio do senador, e logo mais a liberdade de expressão dos cidadãos.

O senador, extremamente incomodado com as críticas de Murrow, logo combina uma entrevista, e faz o que já estamos acostumados a ver nos discursos de muitos políticos brasileiros: ataques pessoais a Murray e membros de sua equipe, junto com ameaças à população com frases tendenciosas e apelativas. Obviamente, Murrow como bom profissional de jornalismo, rebate suas críticas com profissionalismo e compostura, deixando o senador sem palavras, e esclarecendo o óbvio: ter debates saudáveis com pessoas de ideologia diferente e criticar os políticos da oposição, não o torna comunista.
 
O final deste filme revela como funciona as emissoras de TV: Murrow perde seu programa, graças as ameaças de McCarthy, que estava desconfortável com as verdades ditas ao vivo, e faz com que as empresas que financiavam o programa retirassem seus investimentos. Se no início da TV já era assim, será que hoje a verdade ainda pode ser televisionada? Uma história tão atual que chega a surpreender. Atentem para o discurso de Murrow nos minutos iniciais e no final do filme - difícil de não concordar com cada palavra.   

2 – Terra em Transe (1967)


Dirigido pelo ícone do Cinema Novo, o diretor brasileiro Glauber Rocha, o filme escolhido é uma grande parábola do cenário sócio-político do Brasil na década de 60. No país fictício chamado de Eldorado, o enredo é repleto de personagens que representam a imprensa, a igreja, o político populista, os sindicalistas, os movimentos de esquerda, os empresários e o povo marginalizado. Os diálogos são bem diretos, mesmo que dirigidos de forma poética. Mais uma obra prima de sucesso no exterior, mas censurada pela ditadura.

Um filme para quebrar o senso comum de muitos brasileiros de que o cinema nacional só fez filmes ruins de comédia e de que a ditadura foi justa e só censurava o que não prestava.  Um filme que mesmo num país fictício, ainda parece um retrato do Brasil atualmente.
Abaixo cena do auge do filme onde o operário Felício (Flávio Migliaccio) interrompe o discurso do sindicalista Jerônimo (José Marinho):
 
"Eu vou falar agora. Eu vou falar. Com a licença dos doutores. Seu Jerônimo faz a política da gente, mas Seu Jerônimo não é o povo. O povo sou eu! Que tenho sete filhos e não tenho onde morar!”

3 – Cidadão Quatro (2014)

 

Vencedor do Oscar 2015 de melhor documentário, Laura Poitras dirige o desenrolar dos encontros com Edward Snowden antes e depois de revelar sua identidade ao público. Para quem não se lembra, Edward Snowden é um analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos). Ele foi o responsável pelo vazamento de documentos que exibiam a dimensão do programa da NSA de vigilância global americana: inúmeros programas visando a captação de dados, e-mails, ligações telefônicas e qualquer tipo de comunicação entre cidadãos a nível mundial. E é sobre isso que se trata todo o documentário: abrir os olhos para total falta de privacidade proporcionada pelas tecnologias que nos acercam. Toda a comunicação é armazenada e vigiada, basta usar um smartphone, computador, smart TVs e até mesmo consoles de vídeo-games.
 
Agora pense nas possibilidades do que pode ser feito com tanta informação? Para se ter uma ideia em 2013 Snowden vazou informações de que a presidente Dilma Roussef estaria sendo alvo de espionagem americana.  Mas mesmo após as críticas da presidente à vigilância norte-americana, agora em março de 2016 teve suas conversas pessoais grampeadas e disponibilizadas ao público pelo juiz federal Sergio Moro. Sofrendo inclusive uma alfinetada do próprio Snowden pelo Twitter, por ainda não utilizar criptografia em suas ligações para preservar o sigilo de suas conversas. Veja aqui.
 
A pergunta que fica é: Todo este controle na informação estaria sendo usado para realmente se fazer justiça e derrubar governos corruptos ou apenas para satisfazer os interesses de uma oposição e de empresas que querem direcionar e impulsionar suas vendas a um público seleto? 

4 – Fahrenheit 11 de Setembro (2004)

 
Se for para estabelecer conexões entre filmes, poderíamos dizer que este documentário dirigido pelo polêmico diretor Michael Moore, é uma “prequel” dos acontecimentos do documentário anterior (Cidadão Quatro). Ambientado nos anos 2000 durante a eleição do presidente George W. Bush. Moore faz fortes críticas a seu governo após sua posse. Até que em 2001 ocorrem os atentados terroristas espalhados pelo país. E Moore descobre uma série de documentos que comprovariam associações do então presidente e sua família, e membros do partido republicano com empresas petrolíferas e armamentistas e empresários sauditas.
 
E o que isso teria a ver com o atual momento no Brasil? Com os atentados, surge uma onda de medo entre a população, alimentado cada vez mais por uma mídia que por anos continuou o alimentando incansavelmente. Levando a população a aprovar leis de vigilância e total controle sobre as comunicações e a apoiar uma guerra de pretextos duvidosos, em uma nação que não apresentava ameaça ao país, mas que possuía grandes reservatórios de petróleo.
 
Mais uma vez, surge a cultura do medo, como uma importante arma para mobilizar a opinião pública e os políticos. Um terrorismo midiático muito parecido com o nosso, que faz com que exista apenas um único vilão, um único responsável por todos os problemas da sociedade, seja ele um país ou um partido político.
 
 
Imagem: Reprodução
 
 
 
 
 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Campeonato Carioca?


 24/03/16    -     Coluna: Manifesto Futebol Clube   Autor(a): Fabio Rodrigues

Partidas foras do Rio de Janeiro marcam Estadual de 2016

Legenda: Flamengo x Fluminense no Pacaembu

Desde 2009 quando o Rio foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, era de conhecimento geral que o Maracanã e o Engenhão (agora Nilton Santos) estariam indisponíveis. Era preciso procurar uma alternativa para as partidas, poderia ser Macaé, talvez Volta Redonda, entretanto, a escolha dos times foi jogar fora do estado. Com isso, a pergunta que não quer calar: Isso é realmente um Campeonato Carioca?
Embora todo glamour do que antes era considerado “o campeonato mais ‘charmoso’ do Brasil” tenha se perdido, mudar o jogo do seu estado para um torneio regional sempre terá seu charme, seu valor. Não importa se o estadual está falido ou se a FERJ é uma bagunça. A taça em disputa é do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, logo temos em mente que as partidas serão disputadas nesse estado, o pior é que os confrontos que estão sendo levados para fora do Rio em sua maioria são clássicos, ou seja, jogos com grande apelo onde o torcedor costuma encher. Se o Carioca está à beira da falência, não é esse deslocamento que trará mudanças. Pois poderia ter sido feito obras em estádios como o Moça Bonita do Bangu ou Los Larios do Tigres, assim os times pequenos se fortaleceriam tendo uma estrutura melhor, além de criar possibilidades quando os principais palcos não estiverem disponíveis.

Infelizmente, não é assim que um dirigente pensa. Na cabeça deles o lucro vem em primeiro lugar, e se formos pensar dessa maneira, realmente a mudança para praças como Brasília, traz enormes benefícios para os cofres dos clubes. No Fla-Flu disputado no Mané Garrincha na capital federal, a dupla faturou R$ 2,3 milhões, enquanto jogando no Rio, eles ficaram no prejuízo. Além disso, na Primeira Liga, o rubro-negro fatura 4 vezes mais do que no Carioca. No próximo dia 30, o Flamengo voltará a capital do país no clássico contra o Vasco, ambos receberão 800 mil reais de cota fixa. Lembrando que a Ferj arrecada 10% da receita bruta de cada partida válida pelo estadual. Ano passado, a federação teve mais lucro que o campeão Vasco da Gama.

Outro fator importante que contribui para jogos em outras cidades é a enorme presença de torcedores de equipes cariocas em diversos estados. Em Santa Catarina, o número de adeptos do Vasco é impressionante, sempre quando o cruzmaltino disputa alguma partida por lá é certeza de casa cheia. Em outros locais como o Norte e o Nordeste, é evidente a presença massiva de flamenguistas e vascaínos. É importante para as pessoas da região jogos de grande porte, não é sempre que um Fluminense, um Botafogo joga no Espírito Santo, por muitos dos habitantes não terem condições de virem ao Rio, quando acontece um evento dessa grandeza é a oportunidade única deles assistirem os times de coração com seus craques. Mas volto a frisar, o campeonato é Carioca, temos o Brasileiro que é um torneio nacional onde essa estratégia de lucro pode ser usada. Estadual é para ser jogado em casa.

Confira abaixo a tabela com os jogos realizados fora do Rio de Janeiro:





Imagem: O Globo