quinta-feira, 9 de junho de 2016

Atlética UniCarioca

 Fabio Rodrigues
fabio.fjv@hotmail.com


Delegação UniChapados no JUCS 2016. (foto: Gabriela Neves)
Associação Atlética Atividades Esportivas da faculdade – mais conhecida como Atlética, é um grupo de alunos que organizam (como o nome diz) práticas esportivas, além de eventos como: Trotes, chopadas, isoporzinho, entre outros. Criada há mais de um ano, a Atlética UniCarioca vem crescendo e ganhando mais membros. Ela conta com a torcida UniChapados, que funciona igual as organizadas de qualquer time de futebol.

A Atlética não pode estimular bebidas alcoólicas para os universitários, por isso a gente cria uma parte que é só a organizada, a torcida UniChapados que são os “zoeiros” da parada, que organizam os eventos. A outra parte, Atlética UniCarioca é a atividade esportiva, onde vamos nas salas para divulgar. A gente não pode divulgar “UniChapados”, a Atlética tem o lado esportivo, o lado sério da parada. Não que a outra não seja, mas um lado é mais burocracia e o outro é a criatividade – Leonardo Araújo, Presidente da Atlética UniCarioca.

Leonardo Lourenço de Araújo nasceu no dia 08 de fevereiro de 1994. Cria do Méier, está no 5° período do curso de Ciência da Computação na UniCarioca. Entretanto, no próximo semestre irá trocar para Publicidade. Além de ser Presidente, também é um dos fundadores da Atlética de sua Universidade.

Confira abaixo a entrevista exclusiva com Leonardo Araújo:

Quando e como você teve a ideia de criar uma Atlética para a UniCarioca?
Eu conheci essa área de Atlética em 2014, através do pessoal do CCAA. Agradeço muito a eles, eles que me incentivaram e que mostraram muito coisa pra gente. Aí, eu fui a uma festa com o Matheus Arantes (diretor da Atlética UniCarioca) e com a Thainã (diretora da Atlética UniCarioca) e saímos de lá com a ideia de criar uma nossa. Criamos a Atlética em 2015, no dia 15 de março.

Quais foram as maiores dificuldades até as pessoas aceitarem e até a Atlética se firmar?
Aceitação pelos alunos da própria faculdade. Acham que isso aqui é panela, claro que não é. Aceitação da faculdade também foi muito difícil pela demora. A comparação com a Veiga de Almeida chamou atenção.

A Atlética até pouco tempo era só “Carioca”, como foi o processo de conseguir o apoio da Instituição e qual é a importância desse respaldo?
Essa união com a faculdade é absurda. Só quero agradecer, por que a faculdade querendo ou não, ajuda muito na divulgação, ajuda em material, agradecemos muito a eles. No começo, tínhamos um medo absurdo de ser barrado, de ter problema de usar o nome da Instituição sem nada oficial. Como a Instituição vai apoiar um projeto de alunos querendo uma atividade esportiva, disputar campeonato? É complicado, então mostramos um projeto, levamos o pessoal para os Jogos, e com o decorrer do tempo conseguimos esse apoio milagroso.

Recentemente, vocês participaram dos Jogos Universitários de Comunicação Social (JUCS). Como foi a participação nesse evento?
Então cara, o JUCS pra gente foi um evento lindo. A nossa delegação estava mais animada, mais nervosa, com o intuito de ganhar. O evento foi show de bola, agradeço a JC2 (Organizadores do JUCS) e as demais Atléticas.

Vocês golearam a Estácio por 5 x 1, qual foi emoção dessa vitória?
No futsal masculino não tem essa de números grandes. Quem viu a partida, assistiu a um jogo disputado. O pessoal da Atlética da Estácio são novos também. Mas, foi muito bom, nossa primeira vitória no torneio. Foi muito gratificante, as pessoas da torcida pulando, os jogadores comemorando. Porém, nosso intuito não é somente vencer, lógico que pra você ter alegria é preciso resultado. Mas quando a gente perdeu com um dos nossos elencos mais fortes que é o futsal feminino, fomos para torcida pra animar a galera. Não tem essa de perder, a ideia é integrar.

Hoje, você pode dizer que a Atlética UniCarioca é conhecida e respeitada entre as Atléticas de outras Universidades?
Nossa ideia nem era ir pro JUCS, entretanto, a diretoria achou que era preciso se impor. Hoje, a gente consegue ter um respeito, todo mundo conhece a Atlética UniCarioca. Acho que já está em um nível maior, e nos Jogos Universitários, nosso projeto é ir com uma delegação boa.

Quais esportes atualmente têm a Atlética?
Temos todos os esportes de quadra: Vôlei, futsal, handball e basquete, feminino e masculino. Integramos agora o basquete feminino. Hoje, temos os projetos de líderes de torcida e bateria, que pra gente também são esportes.

Pode-se dizer que Coolerchapados foi o maior evento realizado por vocês?
O cooler foi o nosso maior evento, o primeiro de todos. Teve também o Pré-JUCS que era pra galera que iria viajar. Mas sem dúvidas, o cooler foi um dos maiores eventos feitos para os alunos.


Coolerchapado lotou a praça Agripino, no Méier. (foto: Carolline Marinho)
Quais são as novidades em relação a eventos e esportes?
Em relação às novidades, Pós-JUCS vai ter, estamos fechando o local e a data. Vai ter seletivas para o segundo semestre, estamos apenas esperando o pessoal resolver o local e o esquema. Vai ter integra com os calouros do segundo semestre, além do tão esperado Jogos Universitários.

O que representa a torcida UniChapados para você?
UniChapados e a Atlética é como eu sempre falo, é minha família, integração com o pessoal. Aquela coisa de torcida que não para, torcida chata que fica o jogo inteiro, a festa inteira perturbando, pulando e se divertindo. Essa é a visão que eu tenho da minha torcida. O nosso público é fanático, se chegou algo da UniChapados, pega. Se tiver treino, vai. Essa é minha família UniChapados..

Para ingressar na Atlética é preciso apenas querer participar, ajudar com ideias, sugestões, entre outras maneiras. Existe dois grupos dentro dos UniChapados que fazem as coisas acontecerem, são eles: os diretores e os coordenadores. A pessoa que entra para Atlética com o desejo de auxiliar de alguma forma será analisada e poderá subir para coordenação. Depois disso, se continuar com a mesma vontade e disposição, irá subir mais um degrau e entrará para a diretoria.

Para quem deseja entrar para as cheerleaders, não precisa se desesperar. Não é preciso ter as habilidades, a maioria começou do zero. Mas, fique em alerta, terão seletivas em breve.

Cheerleaders no JUCS 2016. (foto: Yasmin Dantas)
Temos seletivas como qualquer esporte porque tratamos dessa forma. Cheerleading para nós é um esporte sim e que trabalhamos, principalmente força e repetição para atingir a perfeição Thainã Maya, diretora e cheerleader.


Para entrar na bateria, é preciso se inscrever e ir para os ensaios. Com o decorrer do tempo, o pessoal será avaliado para ver quem pode fazer parte.


Acompanhe a Atlética UniCarioca em suas redes sociais:

Snapchat: Atlética UniCarioca
Whatsapp (grupo): Integratlética 

sábado, 4 de junho de 2016

O outro lado do efeito olímpico

Marcos Furtado

As recentes desapropriações na cidade do Rio de Janeiro tem revelado o outro lado do efeito olímpico. Uma das comunidades que mais resistiu a esse processo foi a Vila Autódromo. Localizado entre o Parque Olímpico e a lagoa de Jacarepaguá, o local já foi habitado por mais de 700 famílias e hoje tem apenas 20 delas tentando reescrever a história. Quer saber mais? Clique ou torque na imagem para ver a fotogaleria. Se estiver usando o celular, prefira a visualização horizontal.
O outro lado do efeito olímpico




sexta-feira, 3 de junho de 2016

Os 8 Odiados – A Vida Como Ela É

Thaís Carlos
thais-figueiredo@hotmail.com.br



Talvez o grande motivo desta obra ter dividido tanto a crítica seja pelo fato de ser mais um filme do Tarantino, e não O FILME do Tarantino. Não que todos eles sejam iguais, mas em essência possuem os mesmos elementos. Se seus filmes são tão aclamados por sua quebra na narrativa clássica, hoje ela está repetitiva, deixando de ser algo muito inovador. Porque enquanto a maioria dos filmes seguem roteiros baseados na jornada do herói, iniciando e fechando um ciclo, Tarantino simplesmente nos joga no presente do personagem. Quem ele era e quem ele se tornará não importa. Só saberemos do passado aquilo que for necessário para entender as ações no presente. O personagem simplesmente está ali: fez uma ação, sofreu uma reação e acabou. Não há moral, não há transformação. Há apenas violência e sangue. Muito sangue.




Seja por pesquisas de comportamento, em grupo as pessoas tendem a fazer coisas que não fariam sozinhas, tudo depende de uma pressão ou palavras de apoio. Somos seres sociais e para sobrevivermos necessitamos pertencer a um meio - E isso Tarantino soube explorar muito bem. 
Pessoas que não são santas, e mesmo se passando a tanto tempo, sabemos que nada disso mudou. O presente acaba imitando o passado de alguma forma.

No fim é apenas um filme feito para entreter que aborda um tema sério para ser um mero gancho nos acontecimentos. Não é uma fórmula ruim, mas com tudo que vem acontecendo no mundo, insistir em entretenimentos que mostram a violência, mas não a questionam, é preocupante, pois fica dúvida sobre o que está se acrescentando à sociedade. Não é uma obrigação dos filmes servirem de exemplo, mas quando se estuda os efeitos que o audiovisual tem, cabe aos profissionais do meio e público refletirem sobre os motivos de fazer ou assistir tal tipo de obra. 




 Frustra um pouco é ver um filme que tinha um grande potencial para explorar um assunto polêmico, acabar tornando-se apenas um motivo para uma carnificina. Diferente do que alguns têm dito, Os 8 Odiados não me pareceu uma critica ao racismo e um empoderamento feminino, mas sim um longa com 3 horas para assistir a uma chacina motivada por vingança, que se aproveita da temporalidade pós guerra de Secessão, onde o racismo e desprezo dos sulistas sobre os nortistas imperava. Nada mais que isso. O latino continua com o estereótipo de bandido, o homem negro continua sendo o mercenário vingativo, e a mulher continua sendo a vadia objetificada que apanha o tempo todo por gerar um forte asco porque não cumpre seu papel de boa moça na sociedade.
   
Mas não deixa de ser interessante analisar a forma em que a diversidade é abordada, a personalidade dos personagens e a forma como são tratados. A mulher, Jennifer Jason Leigh, não é uma mocinha indefesa. Mas uma bandida que não se intimida, e que só está sendo resgatada por ser uma peça importante numa gangue. O novo xerife da cidade, Walton Goggins, o homem branco que está longe de ser um cidadão de bem símbolo de justiça. E ao personagem principal de Samuel L. Jackson, que mesmo sofrendo com o racismo não permite se abalar. Mas tirando algumas poucas falas, o filme é como quase todos os outros do Tarantino: um banho de sangue violento com diálogos criativos.
            
A obra ainda é dividida em 4 capítulos, sendo o terceiro não muito bem visto pelos críticos, pois cansa pelo fato de ser extremamente explicativo, contando até com narração do próprio Tarantino. O resto basicamente arrasta-se num jogo de detetive, onde o mercenário tenta descobrir o que aconteceu com os donos da estalagem. Enquanto todos vão revelando suas identidades, cada um com seus preconceitos, mas que no fim, ao descobrir um inimigo em comum ou para sobreviver, ignoram as diferenças e cooperam em união. 




Seja por pesquisas de comportamento, em grupo as pessoas tendem a fazer coisas que não fariam sozinhas, tudo depende de uma pressão ou palavras de apoio. Somos seres sociais e para sobrevivermos necessitamos pertencer a um meio - E isso Tarantino soube explorar muito bem. Pessoas que não são santas, e mesmo se passando a tanto tempo, sabemos que nada disso mudou. O presente acaba imitando o passado de alguma forma.



Imagens:
 1, 2, 3 - Reprodução

“A Mulher do Fim do Mundo”: o histórico e protestante álbum de Elza Soares

Jean Pierry Oliveira

Elza Soares canta e protesta em "A Mulher do Fim do Mundo"
Foto: Stephane Munnier


Ela brada contra a violência doméstica como se fosse uma “Maria da Vila Matilde” quando diz que “cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”. Agoniza mas não morre quando grita que “é a mulher do fim do mundo. Me deixe cantar até fim”. Quando esbraveja sob a “Luz Vermelha” e afirma que “o mundo vai terminar num poço cheio de merda”. Entre outras coisas.

É brava, protestante, denunciando a violência com sua voz forte na luta contra o preconceito, machismo, homofobia e outras desigualdades que Elza Soares “chega chegando” em “A Mulher do Fim do Mundo”, seu último e recente álbum. Lançado no final de 2015, o CD foi eleito o Melhor Álbum do Ano e está indicado para três categorias no 27º Prêmio da Música Brasileira em 2016: Melhor Canção por “A Mulher do Fim do Mundo”, Melhor Álbum e Melhor Cantora. E não é para menos. Como uma mulher que viu e viveu de tudo, a “Voz do Milênio” imprimiu tintas fortes e escuras sob seu novo trabalho. Elza conseguiu se despir como nunca e com palavrões – não espere delicadeza – e muita personalidade fez desse CD um dos melhores da sua carreira.

Elza em um dos shows de sua turnê: nem sem poder andar ela deixa de cantar.
Foto: Divulgação


Depois de anos sem lançar um álbum de inéditas, aos 78 anoscantora mostra que está melhor do que nunca, cheia de gás e com capacidade suficiente para continuar surpreendendo e abrilhantando seus fãs e a MPB. Antenada, a artista experimenta e mistura elementos musicais quando explora um tango em “Dança”, frases e gírias em “Firmeza?!”, um samba rápido com metais, tesão e no talento em “Pra Fuder” ou ainda um toque lírico em “Benedita”, além de guitarras e distorções. Mulher negra, criada no samba, que sofreu com perdas de filhos, traições, agressões e outros traumas, Elza dá luz e voz às favelas em “A Mulher do Fim do Mundo”. Dali, em meio a todas as agruras e vicissitudes que a vida impregna no cotidiano de cada um, ela buscou inspiração e a reação para renascer das cinzas, característica peculiar da Fênix, que como tatuagem é também sua marca. A prova disso é a lotação das casas de espetáculos em que seus shows são realizados – cada vez mais concorridos e esgotados por onde passa.


Para aqueles que ainda não ouviram, ouçam essa preciosidade de álbum de uma das maiores cantoras desse país, que mesmo presa numa cadeira de rodas (resultado de uma cirurgia na coluna), não perde o pique e nem silencia seu canto. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Escrava Mãe estreia com boa audiência e capricho na qualidade

 Jean Pierry Oliveira

Foto: Divulgação


Depois de uma longa espera (era anunciada desde novembro de 2015), finalmente, na noite da última terça feira (31/05/16), a Rede Record realizou a estréia de “Escrava Mãe”, sua nova novela. Inaugurando o horário das 19h30, para concorrer diretamente com a também estreante “Haja Coração”, da Rede Globo, a trama do canal dos bispos fez uma ótima estreia – de público e crítica.


Escrita por Gustavo Reiz e dirigida por Ivan Zettel, a história começou didática e narrada pela voz de Tia Joaquina (Zezé Motta) que teve a incumbência de reavivar sua memória para contar a Juliana (Gabriela Moreyra) a verdadeira história sobre seus pais e passado. Assim, foi-se necessário viajar até o Congo do século 18 e mostrar como foi que tudo aconteceu. Nesse momento, destacaram-se as belezas dos figurinos étnicos e até o cuidado em reproduzir o dialeto local, com a tradução na tela. Com ares cinematográficos, muito em função da terceirização da sua teledramaturgia que fica a cargo de uma produtora independente, Escrava Mãe conseguiu reproduzir melhor o Brasil na época do Império do que o Egito em “Os Dez Mandamentos”.

Nayara Justino – a ex-Globeleza que foi demitida após ter sido rejeitada como musa do carnaval na Globo - mostrou talento ao dar vida a africana Luena, que sofre um estupro de Osório (Jayme Periard), engravidando de Juliana e fazendo o parto sozinha à beira do rio ao som da inesquecível “Vida de Negro” (lerê lerê) de Dorival Caymmi, já em terras brasileiras. Vale ressaltar que todas as cenas mais violentas são cuidadosamente adaptadas para o horário e sem a intenção de fazer chocar o público. Além da agilidade das cenas, da boa fotografia e de figurinos impecáveis, Escrava Mãe também se fez valer pelas interpretações acertadas. Gabriela Moreyra mostrou segurança com sua protagonista e convenceu como a doce escrava, que ao lado do estreante ator português Pedro Moreira (Miguel) promete um bonito e conflituoso romance.

Luena (Nayara Justino) durante o parto no rio de Juliana.
Foto: Reprodução/Rede Record




Thaís Fersoza também deu mostra de que sua vilã Maria Isabel não facilitará a vida de Juliana, já aparentemente balançada pelo português. Responsáveis pela suavidade da trama, Jussara Freire (Tia Urraca) e Luiza Tomé (Rosalinda) também foram bem. O fato da trama já estar inteiramente gravada desde o ano passado é um risco para a emissora caso algo não agrade, pois mudanças não serão possíveis. Entretanto, como parece ser uma característica da Rede Record, o ponto negativo ficou por conta da falta de respeito com o telespectador que aguardava a estréia para as 19h30, mas teve que se contentar com a “esticada” do “Cidade Alerta” de Marcelo Rezende para até 19h35. Esse recurso também ocorreu com “Pecado Mortal”.

Porém, no mais, ainda que a Rede Globo tenha adiantado para as 19h25 o horário de “Haja Coração”(que pode vir a ser uma estratégia adotada para além do primeiro dia) e conseguido alcançar 27 pontos em SP e 32 no RJ, Escrava Mãe tem potencial de sobra para conquistar os fãs órfãos de “Totalmente Demais” e também fidelizar um novo público em seu novo horário, subindo os índices para acima dos 13 pontos registrados no RJ e 14 em SP. Basta a Record não sabotar seu próprio produto assim como fez para exibi-la. 

Juliana (Gabriela Moreyra) e Miguel (Pedro Carvalho): protagonistas.
Foto: Divulgação/Rede Record