27/05/2016
Coluna: Última Nota
Autor(a): Jean Pierry Oliveira
No último dia 20 de maio, a cantora gospel Ana Paula
Valadão, do grupo Diante do Trono, monopolizou as redes sociais depois de
escrever um imenso texto em seu Facebook, criticando a campanha “Misture, ouse
e divirta-se” da loja C&A. A cantora mostrou indignação com o comercial que
dá visibilidade a roupas que não se enquadram em gêneros, podendo ser usadas
tanto por homens quanto por mulheres. Para Ana Paula “é um absurdo! Temos que
boicotar essa loja e mostrar nosso repúdio”, segundo relatou em sua
#SantaIndignação.
Ninguém é obrigado a aceitar nada e Valadão tem todo o
direito de manifestar sua contrariedade à marca ou coleção. Entretanto, um
pouco de respeito (e menos ignorância) é bom e ela como evangélica sabe muito
bem disso. A artista, não somente foi preconceituosa, como também mostrou
desconhecimento sobre o produto. Esse texto não trata-se de uma defesa à
C&A, mas fica claro que a publicidade explora o fato de que assim como
nossa diversidade (no sentido de diferenças e não homossexualidade), as peças
também são tão diferentes que encaixam-se em qualquer um, independente da
biologia.
Outra coisa Sra. Ana Paula: o que cada um veste e compra não
lhe pertence, até porque não é com seu dinheiro. Portanto, não há o que criticar.
Certamente, você não compra na C&A e seus terninhos e calças (que só
tornaram-se “roupas de mulheres” nos anos 60!),
de acordo com sua perspectiva financeira, lhe permitem consumir marcas
mais nobres. Portanto, sem discursos moralizantes. A C&A não está impondo
nada a ninguém, bastando a você trocar de canal, desligar a TV ou comprar em
outras lojas. Simples assim.

