quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ana Paula Valadão: Diante do close errado


27/05/2016

Coluna: Última Nota
Autor(a): Jean Pierry Oliveira






No último dia 20 de maio, a cantora gospel Ana Paula Valadão, do grupo Diante do Trono, monopolizou as redes sociais depois de escrever um imenso texto em seu Facebook, criticando a campanha “Misture, ouse e divirta-se” da loja C&A. A cantora mostrou indignação com o comercial que dá visibilidade a roupas que não se enquadram em gêneros, podendo ser usadas tanto por homens quanto por mulheres. Para Ana Paula “é um absurdo! Temos que boicotar essa loja e mostrar nosso repúdio”, segundo relatou em sua #SantaIndignação.


Ninguém é obrigado a aceitar nada e Valadão tem todo o direito de manifestar sua contrariedade à marca ou coleção. Entretanto, um pouco de respeito (e menos ignorância) é bom e ela como evangélica sabe muito bem disso. A artista, não somente foi preconceituosa, como também mostrou desconhecimento sobre o produto. Esse texto não trata-se de uma defesa à C&A, mas fica claro que a publicidade explora o fato de que assim como nossa diversidade (no sentido de diferenças e não homossexualidade), as peças também são tão diferentes que encaixam-se em qualquer um, independente da biologia. 

Desabafo no Facebook de Valadão gerou revoltas
Foto: Reprodução/Facebook

Mas ainda que fosse ou seja ao contrário. Que fosse “a roupa do homem passando pra mulher e da mulher pro homem. Os homens saindo de salto e tudo”, como citou em suas palavras, o que Ana Paula tem a ver com isso? Cada pessoa tem o direito de ser aquilo que bem quiser, não cabendo a ela julgar ninguém. Nem sobre a sexualidade e, principalmente, sobre o que veste. A palavra de Deus prega o amor ao próximo e, sobretudo, a compaixão – valores esse que mesmo para um autor tão leigo ou sem religião definida é sabida – e não julgamentos e apontamentos como ela fez. Ora, onde fica sua religião nessa hora? Será que sua postura não evoca mais disparidades, semeia discórdias do que afeto ou respeito às diferenças?
Outra coisa Sra. Ana Paula: o que cada um veste e compra não lhe pertence, até porque não é com seu dinheiro. Portanto, não há o que criticar. Certamente, você não compra na C&A e seus terninhos e calças (que só tornaram-se “roupas de mulheres” nos anos 60!),  de acordo com sua perspectiva financeira, lhe permitem consumir marcas mais nobres. Portanto, sem discursos moralizantes. A C&A não está impondo nada a ninguém, bastando a você trocar de canal, desligar a TV ou comprar em outras lojas. Simples assim.

Coleção unissex da campanha da C&A: desaprovado pela cantora
Foto: Montagem


Encerro, com um pedido: já que clama por um boicote à empresa, bem, então acredito que você já tenha separado ou reservado uma vaga de emprego ou renda mensal a cada um dos/das funcionários/funcionárias evangélicos/evangélicas que na C&A trabalham e dali tiram seu sustento né? Esperamos que sim, afinal, #SantaIndignação mesmo é ver uma mulher formadora de opinião, com dom da palavra de Deus, usar seus ensinamentos de maneira tão errada por ser tão ignorante. Close errado.