quarta-feira, 25 de maio de 2016

Totalmente Demais reinventa a fórmula do sucesso


25/05/2016

Coluna: Segunda Tela
Autor(a): Jean Pierry Oliveira


Fábio Assunção, Juliana Paes, Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas: destaques
e protagonismos em "Totalmente Demais".
Foto: Raphael Dias/Gshow


Já em reta final, Totalmente Demais empolgou o público do começo ao fim. Com números de audiências superiores ou tão iguais quanto os das novelas das 21h, a trama de Rosane Svartman e Paulo Halm consagrou-se como um dos maiores fenômenos das 19h – e da Rede Globo, no geral -  desde 2012, quando “Cheias de Charme” encantou o país com as “empreguetes”.

Muitos críticos e telespectadores debatem acerca do que foi determinante para o sucesso da novela. Bem, a resposta é simples. Ela pegou um pouco do mesmo e transformou isso num mais. Explica-se: Totalmente Demais assemelha-se muito de um conto de fadas atual, com inspirações em “A Gata Borralheira”, vide sua protagonista Eliza: uma menina pobre, maltratada e abusada pelo padrasto, que foge de casa, passa a morar na rua, depois é descoberta por um empresário do ramo da Moda e dali em diante decola. É uma fórmula daquelas ditas “batidas”.

Entretanto, o diferencial foi a maneira como os autores e também os atores criaram e conduziram seus personagens. Inegável não começar falando de Marina Ruy Barbosa. A ruiva é uma das mais pretensas atrizes de sua geração e com uma personagem que flutuava entre várias situações, emoções e facetas, mais uma vez a jovem conseguiu imprimir seu talento, utilizando-se de medidas precisas para cada fase de sua personagem, garantindo o tom certo daquela parte da novela e prendendo a atenção do telespectador que “comprou” sua briga e torceu por ela do começo ao fim. Outros dois destaques para se falar atendem pelos nomes de Fábio Assunção (Arthur) e Felipe Simas (Jonatas). Esses dois provaram que diferença entre eles só existe mesmo na idade e também nos seus personagens. De maneira brilhante, conseguiram dividir torcidas, amores e ódio, suscitar outras emoções e deixar qualquer espectador mais perspicaz em dúvida sobre com quem Eliza deve ficar. A uma semana da reta final ainda não sabemos ao certo (porém inclina-se para que Eliza termine ao lado de Jonatas) com quem a modelo ficará.

Arthur + Eliza= Casal Arliza
ou...
Foto: Reprodução

...Jonatas + Eliza= Joliza. Torcidas divididas.
Foto: Reprodução/TV Globo

A antagonista de Juliana Paes (Carolina) também ofereceu a atriz mostrar um lado mais maduro, numa personagem – acredito eu -  das mais adultas que já fez. A personagem mostrava-se com todas as fraquezas possíveis de uma mulher que, por detrás da pose e segurança de ser uma grande empresária, na verdade, era uma mulher insegura, ciumenta e apaixonada que tinha lições para aprender com a perda do homem de sua vida. Juliana saiu-se bem, sem problemas, nos altos e baixos vividos por Carolina. Há tempos precisava de uma personagem assim, longe das caricaturas de “gostosona”, “sensual” ou afins. Glória Menezes, Juliana Trevisol, Pablo Sanóbio, Marat Descartes, Malu Galli, Aílton Graça, Leona Cavalli, Paulo Rocha e outros também devem ser citados.  Aliás, é até pecado não poder citar outros atores ou personagens aqui, mas verdade seja dita, todo o elenco é digno de aplausos.

O único ponto dissonante fica por conta da pequena participação de Lavínia Vlasak (Natasha), como ex-mulher de Arthur, do extenso concurso de mesmo nome da novela que pareceu “encher linguiça” num determinado momento da história e também da repetição de personagens da atriz Juliana Paiva. Talentosa, a jovem mais uma vez mostrou que é uma das boas atrizes de sua geração, porém, o seu passado “Fatinha” (personagem de sucesso em “Malhação”) parece não deixá-la quieta.

Natasha (Lavínia Vlasak): personagem e atriz mal aproveitadas
Foto: Rede Globo/Divulgação
Tamanho sucesso gerou ineditismo e pela primeira vez em sua história, a Rede Globo terminará uma novela numa segunda feira (dia em que a Record estrearia a quase lenda “Escrava Mãe”, empurrada para dia 31/05), passando o difícil bastão da manutenção da audiência para “Haja Coração”, de Daniel Ortiz. Assim, Totalmente Demais se despede da telinha deixando milhares de órfãos saudosistas, mas também com o sentimento de dever cumprido.