O
gênero dos Talk-shows no Brasil sempre foi algo inovador. Formato muito bem
distribuído na TV americana, os maiores expoentes do gênero na América sempre
foram os indefectíveis David Letterman, Larry King, Jimmy Fallon, Ellen
Degeneres, Oprah Winfrey, entre tantos outros já consagrados. E como na telinha
nada se cria, tudo se copia – salve, Chacrinha pela frase! – eis que esse tipo
de atração chega por aqui no Brasil. Dono de uma carreira que dispensa
apresentações, Jô Soares despiu-se de seus personagens de ‘’Viva o Gordo’’ e o
‘’Capitão Gay’’, por exemplo, e embarcou nessa nova empreitada profissional.
Assim como Rei Midas, em que tudo que tocava se transformava em ouro, Jô
conseguiu imprimir uma personalidade e características marcantes, naquilo que
seria o primeiro tipo de Talk-Show – também
chamado de Late Show – em nossa programação aberta.
Dono
de uma cultura, estilo, bom humor, simpatia e outros adjetivos bem
personificados, rapidamente ele consegue alcançar sucesso, o que já na altura
de uma vasta carreira, não seria novidade, frente ao seu ‘’ Jô Soares Onze e
Meia’’, no fim dos anos 80, no SBT. Após 11 anos, era hora de mudar. Logo, no
começo dos anos 2000, o apresentador foi contratado pela Rede Globo, para dar
continuidade ao que melhor sabia fazer. Conclusão: o que era bom, ficou melhor
ainda. O ‘’Programa do Jô’’ ganhou mais visibilidade e importância, dando um ar
‘’cult’’ ao quem assistia e premiando quem queria se distrair por ter perdido o
sono, diante da TV. Dessa maneira, Jô Soares fincou raízes em late-night e por
anos tornou-se quase unanimidade e exceção nesse tipo de trabalho em nossa TV.
Melhor
dizendo, era o único. Como referência de um bom trabalho e profissional, ‘’o
gordo’’ tornou-se espelho para muitos outros talentos que viam nele quem
queriam ser quando crescessem. Assim, mesmo sem saber – ou ter essa
responsabilidade – o ‘’Mestre Jô’’ capacitou bem seu principal ‘’discípulo’’:
Danilo Gentili. Com apenas 35 anos, o paulista de Santo André, começou a
carreira como apenas mais um integrante daqueles homens de terno e óculos
escuros do CQC (Custe o Que Custar), da Band. Mas aquilo era pouco. Logo a
emissora do Morumbi viu nele a sua ‘’galinha dos ovos de ouro’’ e resolveu
dar-lhe a chance de provar que era tudo aquilo mesmo. Nascia o ‘’Agora é
Tarde’’. Assim como Jô, Danilo tem uma veia cômica, um humor negro e
politização bem presentes como qualidades e foi dessa maneira que ele não
precisou de muito para alcançar o gosto bom do sucesso. Seu programa, por
inúmeras vezes, chegou a liderança no Ibope e animou os diretores da Band. Mas
a relação estremeceu com certas intromissões vindas de cima para baixo, e
Danilo saiu. Com passe valorizado, Sílvio Santos não perdeu tempo e o levou
para a Anhanguera. Resultado: foi melhor do que, ambos, esperavam. O ‘’The Noite
com Danilo Gentili’’ é uma clara referência ao programa de David Letterman, com
uma pitada de Jimmy Fallon. O cenário entrega as referências. Só que não é bem
assim. Gentili já declarou diversas vezes que Jô é seu maior exemplo, e estar
sentado numa cadeira de Talk Show, na emissora em que por anos o seu ‘’Mestre’’
se consagrou, era o ponto alto de sua – curta – trajetória frente as câmeras.
Entender o sucesso de tudo, passa por seu jovem comandante, pois é justamente
essa ‘’insanidade’’, com jeito de menino do interior, rebelde sem causa, que dá
a leveza e descontração necessária para conquistar os jovens, principalmente, e
também os adultos pela madrugada afora, quando ele entra no ar.
Finalizando,
nunca Jô Soares pensaria que teria alguém tão novo, e tão talentoso,
roubando-lhe o protagonismo e mais de 2.000 horas de liderança, naquilo que ele
sempre reinou absoluto e, praticamente, fundou em nossa programação. Mais
comedido e reservado nas palavras, ele não declara paixões por sua ‘’cria’’.
Mas não é por mal. No fundo, ele sabe que plantou sementes, e a melhor safra já
deu bom fruto. Onde quem ganha com tudo isso chama-se telespectadores, que
insones durante a semana, tem a garantia de boas risadas e companhia antes de
dormir.
